O governo do Estado não se pronunciou, passada uma semana depois de a Polícia do Maranhão dar cobertura à demolição de uma casa no Cajueiro, em São Luís, sem nenhum mandado judicial – e o que é pior, de uma área inscrita no documento em que o Estado do Maranhão cede o local aos moradores, tendo estes, dessa forma, a proteção legal de estarem num assentamento rural.

Também não se pronunciou sobre as denúncias recentes de que a mesma PM teria invadido a casa de uma liderança quilombola no interior do Estado (veja aqui).

 

A sociedade não pode permitir que esses casos continuem a ser denunciados e o Estado não se pronuncie, como fez com o assassinato no jovem Fagner Barros dos Santos por um policial durante uma violenta desocupação de uma área grilada e cuja reintegração foi dada pela “justiça” contra os posseiros que a ocuparam, em São Luís; ou quando uma bomba foi jogada sobre uma mãe e sua criança num protesto por moradia em frente ao Palácio dos Leões (veja aqui) – à época dessa tragédia, o governo fez o que sempre faz: disse que era coisa da oposição sarneísta (como se todos os que denunciam essas atrocidades fossem defensores de Sarney), e soltou nota dizendo ter feito o que era necessário para garantir a ordem. Não é assim que deve agir qualquer governante contra qualquer pessoa, ainda mais contra os mais humildes.

 

NO CAJUEIRO, A DESGRACEIRA JÁ COMEÇOU: UM EMPRESÁRIO SUJO CONTA COM AVAL DA CLASSE POLÍTICA PARA MANDAR E DESMANDAR

Não bastasse toda essa barbaridade, outras seguem acontecendo: empresa de fachada que pretende passar por cima de comunidade consegue licença do governador (ele falou perante representante do Ministério Público Federal que seria o responsável por qualquer licença que viesse a ser concedida) e do secretário de Meio Ambiente para ali instalar um porto, sem cumprir qualquer exigência legal para o caso, sem realizar audiência pública nada. E mais: o “cara” (o tal empresário) está todo enrolado na justiça e mesmo assim segue com seus intentos, e sua empresa sendo apresentada pela mídia local como uma “gigante” (só se for em número de enroladas em que está metida). Alegam ter um bilhão para investir no empreendimento. Pede essa quantia, tanto para o governo brasileiro quanto para investidores chineses, com tiros para todos os lados levantando dúvidas e sem dar garantias de que tenha a grana. Ainda assim, os governantes se dobram a ele enquanto a comunidade é diariamente humilhada. Vai ver esses “novos” chineses sejam a KAO-I de Flávio Dino, aquela dos “megaempresários” que inauguraram o polo de confecções de Rosário com Roseana e FHC, lembram? Pois é: chega um momento em que não se sabe mais quem copia quem…

 

Começa o desmatamento na área do Cajueiro: a comunidade tenta impedir, dada a flagrante ilegalidade da situação, além de que, o que vier a ser feito (no caso o desmatamento), mesmo que depois seja decretada má-fé, não tem como se voltar atrás. A polícia mais uma vez vai dar cobertura para os agressores do Cajueiro e da lha de S. Luís.

 

 

Com o desmatamento, animais selvagens e peçonhentos invadem as casas, já que também foram expulsos de seu habitat: cobras, jacarés, aranhas e outros.

Crianças ficam sem poder sair de casa dado o risco evidente. Nada é feito. A situação se agrava.

Moradores fazem protesto às portas do Palácio do Governo, e lhes é dito que o governador promete que vai recebê-los. Mas até agora, ao contrário dos chineses, Flávio Dino nem “tchum” para o pessoal do Cajueiro. Mais uma mostra de desrespeito. Mais humilhação.

 

 

 

 

Mas se se pensa que as consequências ficarão apenas para os moradores de Cajueiro, aí que está o engano: serão para todos, de toda a São Luís: poluição, perda de área de mangue, proibição de pesca, aumento de doenças, criminalidade. E quem diz isso é a própria empresa, que ainda assim, tem licença para matar o Cajueiro.

O EIA/RIMA (Estudo de Impacto Ambiental/Relatório de Impacto Ambiental), que é obrigada a apresentar e que NÃO FOI DISCUTIDO COM A COMUNIDADE, MUITO MENOS COM A CIDADE, desmente “causos” contados pelos falastrões do porto, e expõe consequências que advirão para todos nós (vai ver por isso falavam em Maranhão de todos…).

Cinco mil empregos como alardeiam os jornais que recebem publicidade da WPR? Nada. 820. Precários, para quem tem ensino fundamental, e com demissões assim que findarem as obras de construção do porto, cuja carga não precisará ser minuciosamente fiscalizada, já que o empreendimento estará classificado como TUP (Terminal de Uso Privado)… entenderam?

 

 

A empresa mesmo diz em seus relatórios que o que gerará é desemprego, doenças e conflitos.

Mas essa belezura de desenvolvimento contou com apoio de todos, de Sarneys e Dinos.

Confira algumas pérolas do relatório da WPR e prepare-se.

Ou lute, e resista, junte-se aos resistentes e não permita atrocidades, sejam de PMs, sejam de políticos, sejam de empresários. Exija uma resposta para o que ainda não foi dito (quando vai dizer se ao menos os policiais que se fizeram de jagunços da WPR serão investigados?).

Só assim o Maranhão poderá ser realmente de todos, não apenas dos poderosos, como sempre.