Nós, integrantes da Teia de Povos e Comunidades Tradicionais do Maranhão, estamos vindo a público para convocar a todo nosso povo, nossas comunidades, além de nossas parceiras, parceiros, colaboradoras e colaboradores, de dentro e de fora do estado, para estarem em sintonia e comunhão com a luta da comunidade do Cajueiro, da Reserva de Tauá Mirim e do Terreiro do Egito. Essa luta é nossa!

De imediato queremos apontar ao governador do nosso estado do Maranhão, Flávio Dino (PC do B), para que ele se comporte como um verdadeiro SERVIDOR PÚBLICO e retire a licença que a Secretaria de Meio Ambiente deu a empresa WPR/WTorre. Faça isso governador! Assuma essa responsabilidade e casse essa licença. Primeiro porque ela é ilegal, segundo porque ela é imoral.

O porto que querem instalar na ilha de São Luís, pensado para atender a interesses privados, é uma violência contra o nosso povo, nosso território, nossa memória, nossa cultura, nosso meio ambiente, nossa dignidade e aos aos direitos humanos.

Dito isso, queremos afirmar que é inadmissível que as máquinas da WPR/WTorre sigam ameaçando a vida de nossa comunidade e daquele território que para nós é sagrado.

A reserva de Tauá-Mirim, onde fica o Cajueiro, tem uma importância que vai além da zona rural de São Luís, além da cidade, além do Maranhão. Preservar áreas como Tauá-Mirim interessa ao futuro da humanidade. O lucro de poucos, não pode estar acima do interesse da vida de todos.

Encerramos esta nota falando do Terreiro do Egito (Ilê Nyame), ponto fundamental dessa nossa luta. Localizado dentro da reserva, exatamente no Cajueiro, trata-se de um lugar sagrado para as religiões afro-brasileiras, cujas narrativas remontam ao Século XIX, sendo um dos mais antigos do Brasil. Esse terreiro foi fundado por Basília Sofia, uma negra, cujo nome privado era Massinocô Alapong, vinda de Cumassi, Costa do Ouro, atual Gana.

Então, governador Flávio Dino, atropelar essa história é, sem dúvida, mais um caso de racismo. Essa empresa, WPR/Wtorre, envolvida com crime organizado, já chegou longe demais no Maranhão. Nossos tambores vão rufar!

São Luís, 26 de dezembro de 2017